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Direito tributário da saúde

Planejamento tributário para clínica médica

Quase tudo que importa aqui se decide em janeiro. Depois disso, o ano está definido.

Entender a tese
Vinícius Sanches Urzêda

Vinícius Sanches Urzêda

OAB/GO 44.657 · Especialista em Direito Tributário pelo IBET

Resposta direta

Planejamento tributário para clínica médica: o que se decide

Planejamento tributário para clínica é a organização prévia das decisões que definem quanto a empresa vai pagar no ano: escolha do regime, tipo societário, estrutura de remuneração dos sócios e segregação de atividades. Diferente da recuperação, que trata do passado, o planejamento age sobre o futuro, e a maior parte das opções é anual e irretratável depois do primeiro recolhimento do exercício.

Planejamento tributário para clínica médica e a base reduzida de IRPJ e CSLL
A escolha de regime define a presunção aplicável, e é dela que sai a maior diferença de carga.

A decisão anual

Escolha do regime

É a decisão de maior impacto e a de menor janela: manifesta-se pelo primeiro recolhimento do exercício e vale para o ano inteiro.

  • 1

    Simples Nacional, com o enquadramento definido pelo fator R entre Anexo III e Anexo V.

  • 2

    Lucro presumido, onde existe a presunção reduzida para serviços hospitalares.

  • 3

    Lucro real, quando a margem efetiva é baixa ou a receita ultrapassa o limite.

  • 4

    A simulação precisa somar todos os tributos, porque os regimes não reúnem os mesmos.

A organização

Estrutura societária eficiente

Estrutura não é criar empresas: é fazer com que a forma jurídica corresponda à operação real, com substância.

  • 1

    Tipo societário adequado, o que é requisito e não apenas conveniência.

  • 2

    Remuneração dos sócios entre pró-labore e distribuição de lucros, com efeito previdenciário considerado.

  • 3

    Segregação de atividades com naturezas distintas, como serviço e venda de mercadoria.

  • 4

    Organização patrimonial dos sócios, separada do risco da operação.

A projeção

Projeção de faturamento e pontos de virada

Toda decisão de regime tem um ponto de virada, e ele se calcula. Trabalhar com faixa de faturamento evita refazer a escolha no meio do ano.

  • 1

    Projetar a receita do exercício por cenário, não por número único.

  • 2

    Identificar o faturamento em que o presumido supera o Simples e vice-versa.

  • 3

    Considerar o efeito da base reduzida quando ela já está reconhecida.

Planejamento tributário para clínica médica: por onde começar

A conferência é feita sobre a documentação da empresa, antes de qualquer proposta. Pontos que aparecem com frequência: escolha do regime anual, estrutura societária eficiente e projeção de faturamento.

O contexto

Os quatro requisitos da base reduzida

São cumulativos. Falta de um só derruba o pedido, e é por isso que a verificação vem antes de qualquer medida judicial.

  • 1

    Estar constituída como sociedade empresária, nos termos dos arts. 966 e 982 do Código Civil. Sociedade simples não atende ao requisito enquanto não for transformada.

  • 2

    Estar no regime do Lucro Presumido. A base presumida reduzida só existe nesse regime.

  • 3

    Atender às exigências da Anvisa (RDC nº 50/2002) quanto à estrutura física e manter alvará sanitário vigente.

  • 4

    Prestar, de fato, os serviços reconhecidos como equiparáveis a hospitalares. O que aparece na nota fiscal pesa mais do que o que consta do contrato social.

Perguntas frequentes

Perguntas sobre planejamento tributário para clínica médica

Quando fazer o planejamento tributário para clínica médica?+

Antes de janeiro. A opção pelo regime se manifesta no primeiro recolhimento do exercício e se torna irretratável para aquele ano, então a simulação precisa estar pronta em dezembro.

Planejamento e recuperação são a mesma coisa?+

Não. Planejamento organiza o futuro; recuperação levanta o que foi pago a maior no passado. Costumam andar juntos, mas são trabalhos distintos.

Existe risco em planejamento tributário?+

Existe quando a estrutura não tem substância real. Organização que corresponde à operação efetiva é lícita; estrutura montada só para reduzir carga, sem propósito negocial, tende a ser desconsiderada.

A clínica precisa mudar de contador?+

Não. O trabalho é feito com a contabilidade existente, que é quem conhece os números e vai implementar a apuração.

Corro risco de autuação pela Receita Federal?+

O risco existe em qualquer apuração, mas é reduzido quando a empresa efetivamente presta os serviços equiparáveis e a mudança de base é amparada por decisão judicial. A tese está pacificada no Superior Tribunal de Justiça desde 2009 e vem sendo confirmada por diferentes Tribunais Regionais Federais.

Como recebo de volta o que já paguei a mais?+

Os valores recolhidos indevidamente nos últimos cinco anos podem ser recuperados por compensação com tributos federais futuros ou por restituição, com correção pela taxa Selic. A escolha entre as duas vias depende do volume de débitos federais que a empresa tem a vencer.

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