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Artigo

Rol taxativo das moléstias graves

Não basta a doença ser grave. Ela precisa estar escrita na lei.

Entender a tese
Vinícius Sanches Urzêda

Vinícius Sanches Urzêda

OAB/GO 44.657 · Especialista em Direito Tributário pelo IBET

Resposta direta

Rol taxativo das moléstias graves: o que isso significa

O Superior Tribunal de Justiça decidiu, em julgamento repetitivo, que a lista de doenças do art. 6º, XIV, da Lei 7.713/1988 é taxativa. O rol taxativo das moléstias graves significa que só as doenças ali escritas dão direito à isenção do imposto de renda, e que o juiz não pode estender o benefício a outra doença, por mais grave ou incapacitante que ela seja.

Rol taxativo das moléstias graves da Lei 7.713 para isenção de imposto de renda
Tema 250 do STJ: isenção não se estende por analogia a doença fora da lista legal.

A lista

O que está escrito na lei

A lista vale como está escrita. Por isso ela vai aqui por extenso, na redação vigente, e não resumida.

  • 1

    A redação vigente do art. 6º, XIV, dada pela Lei 11.052/2004, lista: moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação e síndrome da imunodeficiência adquirida.

  • 2

    A mesma norma alcança os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço.

  • 3

    O inciso XXI estende a isenção à pensão recebida por portador das mesmas doenças, exceto a moléstia profissional.

  • 4

    A doença pode ter sido contraída depois da aposentadoria: a lei diz isso expressamente.

A decisão

Por que o tribunal não amplia a lista

A pergunta levada ao tribunal era se a lista poderia ser ampliada para doenças igualmente graves. A resposta foi não, e o fundamento é de técnica tributária.

  • 1

    Isenção é exceção à regra de tributação, e o Código Tributário Nacional manda interpretá-la literalmente.

  • 2

    A lista fechada da lei impede que o juiz crie isenção que o legislador não criou.

  • 3

    Doença fora do rol, ainda que grave, incapacitante ou de tratamento caro, não dá direito ao benefício.

  • 4

    A interpretação literal da isenção é a mesma que afasta a extensão do benefício a quem ainda trabalha.

Na prática

Como enquadrar a doença que você tem

A lista usa categorias médicas amplas, e muita doença específica está dentro de uma delas sem ser nomeada. O enquadramento é técnico.

  • 1

    Neoplasia maligna abrange os diversos tipos de câncer, e não apenas um deles.

  • 2

    Cardiopatia grave, nefropatia grave e hepatopatia grave dependem de o laudo qualificar a gravidade, não só o diagnóstico.

  • 3

    Alienação mental e paralisia irreversível e incapacitante exigem descrição do quadro no laudo.

  • 4

    O que decide é a correspondência entre o laudo e a categoria da lei, e é esse o ponto que costuma precisar de trabalho.

Rol taxativo das moléstias graves: por onde começar

A conferência é feita sobre a documentação da empresa, antes de qualquer proposta. Pontos que aparecem com frequência: lista fechada da lei, doença fora do rol e interpretação literal da isenção.

O método

Como a revisão tributária é conduzida

A ordem é sempre a mesma, e ela começa pela documentação, não pela tese. Proposta antes de conferência é proposta sobre suposição.

  • 1

    Conferência documental do que a empresa de fato faz, contra o que a escrituração e as notas descrevem. Divergência entre atividade real e atividade declarada é a origem mais comum de recolhimento a maior.

  • 2

    Comparação entre os regimes possíveis com os números do período, não com média de setor. Simples Nacional, lucro presumido e lucro real mudam de posição conforme a folha e a margem da própria empresa.

  • 3

    Levantamento do que foi recolhido nos cinco anos anteriores. O prazo do art. 168 do Código Tributário Nacional é contado de cada recolhimento, um a um, e o mais antigo prescreve a cada mês que passa.

  • 4

    Medida judicial apenas quando a via administrativa não resolve. Boa parte do que se recupera sai de retificação e de pedido administrativo, sem processo.

Rol taxativo das moléstias graves: estabelecimento de saúde licenciado
A base menor alcança o estabelecimento que presta o serviço, não a especialidade de quem atende.

Perguntas frequentes

Perguntas sobre rol taxativo das moléstias graves

O rol taxativo das moléstias graves inclui qualquer tipo de câncer?+

A lei fala em neoplasia maligna, categoria que abrange os diversos tipos de câncer. O que se exige é o diagnóstico de neoplasia maligna por medicina especializada, não um tipo específico.

Minha doença é grave mas não está na lista. Não tenho saída?+

Para a isenção do art. 6º, XIV, não, porque o rol é taxativo. Mas vale verificar se a doença se enquadra numa das categorias amplas da lei, como cardiopatia ou nefropatia grave, antes de concluir.

A lista pode mudar?+

Só por lei. O tribunal não pode ampliá-la, mas o legislador pode, e já o fez ao longo do tempo. A análise considera a redação vigente em cada período.

Pedir restituição aumenta o risco de autuação?+

Pedido bem instruído, com documento que sustenta cada valor, não é o que atrai fiscalização. O que atrai é crédito tomado sem lastro. É por isso que o levantamento documental vem antes de qualquer pedido, e não depois.

Como recebo de volta o que já paguei a mais?+

Os valores recolhidos indevidamente nos últimos cinco anos podem ser recuperados por compensação com tributos federais futuros ou por restituição, com correção pela taxa Selic. A escolha entre as duas vias depende do volume de débitos federais que a empresa tem a vencer.

Fontes

Onde conferir o que está nesta página

Tudo o que se afirma aqui pode ser lido na fonte. Os endereços vão para o texto oficial, não para resumo de terceiro.

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